NÃO PEÇA E NÃO ACEITE A FAMOSA “OLHADINHA” !

Nós vivemos uma realidade muito triste no Brasil, que é a da desvalorização profissional no geral. São poucas as profissões onde se consegue fazer valer, de fato, o peso do diploma conquistado. Muitos profissionais, na tentativa de ganharem seu espaço no mercado, acabam por desvalorizar o seu próprio serviço e praticam uma concorrência desleal com seus colegas de classe. Isso não acontece somente na medicina veterinária mas em muitas outras profissões, especialmente em se tratando de um país onde dificilmente a meritocracia vence o “jeitinho” e o “quebra-galho”.

A desvalorização de um profissional começa onde acaba o respeito e a união dos seus colegas de classe; e foi por isso que escolhemos esse tema já tão “batido”, mas que persiste ainda hoje no cenário brasileiro.

A medicina veterinária, como toda e qualquer vertente da saúde, é uma ciência sólida e fundada no conhecimento. A atuação do médico veterinário não se limita ao atendimento de animais de pequeno ou grande porte, pelo contrário, existe um leque imenso de campos de atuação desses profissionais, e que inclui por exemplo o controle sanitário de carnes e produtos de origem animal, o controle de zoonoses, a assistência técnica a propriedades rurais, a pesquisa integrada em diversas áreas, entre muitos outros. Existem anos de estudo e dedicação (no mínimo quatro) de um profissional, até que ele adquira o registro e prática necessários para atuar no cenário de saúde animal minimizando os riscos à saúde dos animais e protegendo a saúde pública. Parece óbvio citar tudo isso, mas mesmo sabendo dessa realidade, é impressionante como muitas pessoas ainda insistem em pedir para que os veterinários clínicos dêem aquela “olhadinha” no seu animal como quem diz “não estou pedindo muito”.

Atendimento clinico a grandes animais

Primeiramente, o exame físico de um animal é essencial para que se monte uma avaliação fundamentada do seu quadro clínico. Não sozinho, o exame físico junto à análise do histórico clínico do paciente (anamnese), dão ao médico veterinário uma BASE para que ele possa tomar decisões e decidir os próximos passos investigativos (exames pedidos, etc.) para chegar a um diagnóstico provável. Tudo isso envolve ANOS de estudo e dedicação. Tudo isso envolve MUITO raciocínio clínico e experiência prática, para que se consiga, em alguns minutos, avaliar um animal (que, por sinal, não fala e muitas vezes nem demonstra onde está o problema) com segurança e mandá-lo para casa afirmando “sim, ele está bem” ou “não, preciso que ele retorne amanhã”.

A responsabilidade de atestar sobre a saúde de alguém ou de um animal é muito grande. Prescrever um medicamento sem examinar um paciente da maneira correta (por exemplo), é algo que nem você mesmo faria se lhe fosse dada uma licença médica hoje, de presente. A responsabilidade médica (humana ou animal) é imensa sobre os ombros de todo e qualquer profissional, e nenhum médico veterinário que passou anos da sua vida estudando medicina (de várias espécies), merece ter o seu serviço e qualificação subestimados.

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Profissional-na-área-de-inspeção-sanitária Exame Fisico 2

Não bastasse a desvalorização profissional, existe ainda o risco de se confiar a saúde de um animal a um atendimento (incompleto) do tipo “dá uma olhadinha nele?”, onde muitas vezes a intenção real é de que a avaliação simplesmente não seja cobrada, mas o pobre animal é quem acaba pagando o pato. Das duas uma, ou o animal não será avaliado da forma correta, ou o profissional acabará examinando o paciente, mas não recebendo à altura por isso.

Essa realidade só irá mudar quando:

1) As pessoas compreenderem o valor do médico veterinário e a importância da profissão;

2) Os próprios veterinários pararem de se submeter a esse tipo de abordagem.

Cuidar de um animal é manter uma vida do começo ao fim. Não é barato cuidar de um pet, e não é para ser mesmo! Uma vida custa muito caro, envolve boa alimentação, cuidados médicos, cuidados ambientais e emocionais. Ter um pet é uma delícia, não é? Os animais se doam inteiramente e proporcionam infinitos momentos de bem-estar a quem os tem em casa. Nada mais justo que devolver essa dedicação na mesma moeda.

Tenha um animal de estimação se, e somente se, você puder dar a ele as condições de vida que ele merece. Entenda que, não é o veterinário que tem que cobrar menos, é você que tem que estar preparado para arcar com a responsabilidade de ter um animal de estimação. Ainda arrisco dizer que, ter um animal de companhia é um luxo, ou pelo menos deveria ser.

Queremos deixar bem claro a todos que nos lêem (inclusive aos médicos veterinários) que a famosa “olhadinha” é uma realidade frustrante que, não só desvaloriza o serviço e a formação do profissional, mas também contribui para que os animais recebam uma “avaliação” de qualidade (no mínimo) questionável,  e que pode muito bem não condizer com o real estado de saúde do animal atendido.

Conclusão:

Você, caro colega veterinário, não se desvalorize, você merece ser reconhecido por todo o seu trabalho!

E você que tem um animal de estimação: não peça (e nem aceite!) uma “olhadinha” do veterinário.
O seu animal merece cuidados médicos completos, e os veterinários estão aí para te dar o melhor suporte e manter o seu companheiro saudável e feliz por vários anos!

Att,

Equipe Qualvet 😉

Ps: nós gostamos (mesmo) e valorizamos os animais, profissionais veterinários, e amantes de bichos. Caso você seja um desses 3, é um prazer dividir nosso conteúdo com você ;P.

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